Os três grandes clubes da capital paulista somam algo em torno de R$ 350 milhões por ano em patrocínio máster. É essa a cifra que um projeto de lei municipal colocou em risco, e é por isso que Corinthians, Palmeiras, São Paulo e a Federação Paulista se mobilizaram juntos, o que não é comum.
O texto, do vereador João Jorge (MDB), proíbe publicidade de casas de aposta em eventos esportivos realizados no município, independentemente de o evento ser público ou privado e de o espaço ser público ou privado. As penalidades previstas são multa de R$ 50 mil e suspensão de eventos por até dois anos. O projeto recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal em 21 de agosto. A apuração é do Poder360.
A conta que explica a reação está na comparação de contratos. O Corinthians recebe cerca de R$ 150 milhões por ano de uma casa de aposta. Em 2023, o patrocínio máster do clube, então de uma farmacêutica, valia R$ 17 milhões. Nenhum outro setor entrou no futebol brasileiro pagando essa diferença, e nenhum outro está disponível para repor a receita no prazo de um contrato.
O argumento dos clubes é de assimetria competitiva. Uma restrição municipal atinge quem manda jogo em São Paulo e não atinge quem manda em Barueri, Campinas ou Belo Horizonte. A justificativa do projeto trata do vício em jogo e do impacto familiar.
O que observar é a tramitação em plenário e a discussão de competência do município para legislar sobre publicidade de uma atividade já regulada em âmbito federal. É nesse ponto que o projeto costuma travar.
Foto: Reprodução/Instagram @corinthians




