O futebol paulista resolveu enfrentar a MP das bets em bloco. Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Red Bull Bragantino, Mirassol, Novorizontino, São Bernardo, Botafogo-SP, Ponte Preta e Juventus se reuniram na segunda-feira na sede da Federação Paulista de Futebol para definir uma ação conjunta. O relato é do No Ataque.
O desenho combinado é duplo. A FPF conduz a interlocução política em nome do grupo, e cada clube fica livre para renegociar individualmente os próprios contratos. Faz sentido: os acordos são diferentes entre si, e a urgência também.
A preocupação central não é só a receita que deixa de entrar. São as cláusulas de adiantamento. Há clubes que já receberam dinheiro de patrocinadores por meses que a MP impede de cumprir, e a devolução ou a compensação desses valores vira disputa contratual. No caso do Corinthians, a antecipação de outubro a dezembro gira em torno de R$ 20 milhões, segundo o Meu Timão.
O tamanho do buraco explica a pressa. Segundo levantamento citado pelo Diário do Grande ABC, as casas de aposta pagaram R$ 1,14 bilhão aos clubes da Série A em 2025, o equivalente a 7,9% da receita total de R$ 14,9 bilhões. Estampavam o master de 14 dos 20 times. E os mesmos 20 clubes carregam R$ 14,3 bilhões em dívida.
Os prazos são curtos. As marcas precisam sair de camisas e estádios até 23h59 de 5 de outubro, e as plataformas encerram a operação no dia seguinte. Os depósitos já estão bloqueados.
O próximo ponto a observar é o primeiro acordo individual de renegociação de adiantamento. Ele vai servir de régua para os outros clubes e dizer se patrocinador e clube dividem o prejuízo ou se a conta vai parar na Justiça.
Foto: Gustavo Vasco/Corinthians e Divulgação/Palmeiras




