Quem dita o prazo dos direitos de transmissão não é a entidade que vende. É a agenda comercial de quem compra.
A definição sobre a Copa do Brasil na TV aberta e sobre o pacote secundário da Libertadores está prevista para até 20 de setembro, segundo o RD1. Globo e SBT pressionam por uma resposta rápida, e a razão é bem menos futebolística do que parece.
O calendário explica. O upfront da Globo está marcado para 14 de outubro, e o primeiro upfront do SBT acontece entre outubro e novembro. Upfront é o evento em que a emissora vende antecipadamente o inventário publicitário do ano seguinte, e ninguém consegue vender cota de uma competição que talvez não esteja na grade. Sem contrato assinado, a emissora chega ao anunciante com projeto, não com produto.
A disputa está desenhada assim: a Globo quer a Copa do Brasil em todas as plataformas e também o pacote secundário da Libertadores, enquanto o SBT mira o pacote de TV aberta da Copa do Brasil. O que trava a segunda parte é externo ao futebol, porque o impasse da fusão entre Paramount e Warner mantém indefinido o pacote pago da Libertadores, hoje ligado à Paramount.
Para os clubes o efeito é direto. Direito de Copa do Brasil entra na receita de 2027 e nas projeções que os departamentos financeiros estão fechando agora, junto com premiação e cota de Brasileirão. Cada semana de indefinição é uma semana de orçamento montado no escuro.
O que observar é se a CBF cumpre o dia 20. Se passar dessa data, a entidade negocia com uma emissora que já vendeu o ano sem contar com a competição, e isso raramente melhora o preço.
Foto: Reprodução Globo e SBT, montagem RD1




