A CBF e os clubes das Séries A e B aprovaram nesta segunda-feira a padronização de datas e horários do futebol brasileiro a partir de 2027, e a votação saiu sem votos contrários. O que parece assunto de tabela é, no fundo, uma redistribuição de receita.
O desenho aprovado elimina as janelas mais hostis ao torcedor, como o jogo de domingo à noite e o começo às 19h no meio de semana. No sábado ficam duas partidas às 16h e uma às 19h30. No domingo, uma às 11h, três às 16h, duas às 18h e uma às 19h30. O meio de semana ganha a chamada Super Quarta, com seis jogos da Série A distribuídos entre 19h30, 20h30 e 21h30, mais dois jogos na terça e dois na quinta, às 20h. A grade completa está no Lance! e no O Tempo.
O argumento apresentado pela entidade foi de previsibilidade. Segundo o levantamento mostrado na reunião, a Série A usou 51 combinações diferentes de horário entre 2023 e 2025, e a Série B chegou a 81. Grade instável é inimiga de receita recorrente: o torcedor não planeja ida ao estádio, o patrocinador não sabe em que faixa a marca aparece e o clube não consegue vender pacote de dia de jogo com antecedência.
Quem ganha com a mudança é a bilheteria. Quem precisa aceitar é a TV, porque domingo à noite e quarta tarde da noite são justamente os horários de maior audiência em casa.
E aí está a trava. A implementação depende de autorização das detentoras dos direitos de transmissão, cujos contratos vão até 2029. A grade foi aprovada pelos clubes, não pelo mercado que paga por ela.
Foto: Thiago Ribeiro/Staff Images/CBF




