O Botafogo está entre os clubes atingidos pela MP que proibiu as bets, mas o problema dele não é o caixa de 2026. É o de 2027. O contrato com a Vbet vale R$ 55 milhões por ano e vai até o fim de 2027, e o valor desta temporada já entrou inteiro, antecipado ainda pela gestão anterior. A apuração é do jornalista Bernardo Gentile, no canal Arena Alvinegra, reproduzida pelo FogãoNET.
O dado mais relevante vem a seguir. Segundo Gentile, mesmo com as apostas liberadas, a conversa no clube já apontava para uma renovação em torno de R$ 40 milhões anuais, cerca de 27% abaixo do contrato atual. Sem as bets, o valor de um novo master tende a ser ainda menor, porque o setor que mais pagava por camisa no país sai da mesa. O clube não divulgou números oficiais.
A aposta da diretoria é política. A MP vale por 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e precisa passar pelo Congresso. O Botafogo, como outros clubes, torce para que ela caduque ou seja modificada.
O planejamento esportivo entra na mesma conta. Segundo o jornalista Felipe Silva, da ESPN, a classificação para uma competição internacional em 2027 é tratada como primordial justamente porque mexe com o orçamento. Com Gabriel de Alba assumindo o controle por meio da GDA Luma, a expectativa de investimento estaria condicionada a essa vaga, como relatou o FogãoNET.
O adiantamento da Vbet compra tempo, não resolve. A receita de 2026 já está no caixa, e a de 2027 depende de um contrato cujo setor pode deixar de existir no país. A nova gestão herda a camisa justamente quando o mercado de patrocínio encolhe.
O que observar: a tramitação da MP no Congresso nas próximas semanas e se o Botafogo abre conversa com marcas de fora do setor de apostas antes do fim do ano.
Foto: Vítor Silva/Botafogo




