A disputa pelo controle da SAF do Botafogo entrou na fase processual mais perigosa para quem hoje manda no clube. John Textor afirma que a Eagle Bidco deixou passar o prazo de defesa na ação movida nos Estados Unidos e que seus advogados já pediram a decretação da revelia. As declarações e o andamento dos processos foram publicados pelo Lance.
São três frentes abertas ao mesmo tempo. Na Flórida corre a ação declaratória, protocolada em junho. No Reino Unido, Textor pede liminar para impedir a venda de ativos. No Brasil, tramita o pedido de rescisão e anulação do contrato. Segundo ele, o prazo de resposta no processo americano venceu em 6 de agosto sem manifestação da outra parte, e a petição de revelia foi apresentada no dia seguinte.
A tese central é dura: Textor sustenta que a operação é nula desde a origem, porque a Eagle Bidco nunca teria completado o pagamento acordado. Se um juiz comprar esse argumento, não se discute preço nem indenização, se discute a existência do negócio. Ele reivindica 90% da SAF.
O ponto que interessa a quem investe em clube brasileiro é o risco de título. Textor assumiu o comando em março de 2022, foi afastado em abril deste ano e deixou o Conselho de Administração em maio. Enquanto a titularidade das ações estiver em disputa em três jurisdições, qualquer venda de ativo, captação ou entrada de novo sócio no Botafogo carrega uma dúvida que nenhum banco gosta de precificar.
O próximo marco é a decisão sobre a revelia na Flórida, que Textor espera para os próximos dias. Revelia decretada não devolve o clube automaticamente, mas muda quem carrega o ônus da prova nas outras duas frentes.
Foto: Lance




