O valor é pequeno, o efeito não. A assembleia da SAF do Botafogo aprovou nesta quinta-feira a emissão de 200 milhões de novas ações classe B a R$ 0,01 cada, um aumento de capital de R$ 2 milhões.
A divisão segue a participação atual. O clube associativo, que tem 51% desde que exerceu um bônus de subscrição no meio do ano, fica com o direito a 102 milhões de ações. A Eagle, empresa de John Textor, tem 30 dias para subscrever as suas 98 milhões. As ações precisam ser pagas em até três dias úteis após a subscrição. A aprovação foi relatada pelo Lance!.
O ponto central é o que acontece se a Eagle não comprar. Nesse caso, o clube fica com as sobras e a Eagle é diluída. E a Eagle votou na assembleia por meio de administradores judiciais nomeados pela Justiça, sem voz própria.
R$ 2 milhões não fecham a conta de uma SAF que, segundo o relatório da recuperação judicial, carrega dívida de R$ 3,5 bilhões e teve déficit de R$ 224 milhões no semestre. A proposta fala em uso imediato do dinheiro para pagar parte da folha. Mas a operação é, antes de tudo, um movimento de controle. O passo seguinte previsto é a transferência de cerca de 90% das ações à GDA Luma, empresa de Gabriel de Alba, que já atua de forma não oficial.
Na véspera, a 7ª Vara Empresarial do Rio negou o pedido de Textor para suspender a assembleia. O juiz Victor Agustin Jaccoud Diz Torres aplicou multa por litigância de má-fé de 5% sobre o acordo de acionistas de 2022, algo perto de R$ 10 milhões, segundo o Lance!. A multa é cinco vezes maior que o aumento de capital aprovado.
O prazo a observar é o de 30 dias para a Eagle. Se passar sem subscrição, o Botafogo ganha espaço para concluir a troca de controle. Textor ainda tem ações abertas nos Estados Unidos e na Inglaterra.
Foto: Wallace Lima/Botafogo




