A GDA Luma ainda não é dona do Botafogo, mas já é, de longe, a maior credora da SAF fora da recuperação judicial. O quinto relatório mensal dos administradores judiciais, protocolado nesta terça-feira (20), informou que a dívida com o grupo subiu de R$ 415 milhões em junho para R$ 480,6 milhões em 31 de agosto.
Segundo o relatório, esse valor equivale a 82% de toda a dívida da SAF que está fora do processo, que soma R$ 582 milhões. É financiamento do tipo DIP: depende de autorização judicial, tem prioridade de pagamento e, pelo contrato, pode ser convertido em ações. Os números foram detalhados pelo FogãoNET, a partir de análise de Benjamín Esposito.
Em outras palavras, a GDA financia a operação hoje com um crédito que vira participação amanhã. O relatório confirma que não há contrato vinculante de aquisição de controle assinado, só um acordo vinculante de investimento.
O dado mais forte está na estrutura societária. A SAF aprovou um aumento de capital. O Botafogo social, dono de 51%, exerceu o direito de comprar 102 milhões de novas ações. A Eagle, com 49%, tem 30 dias para subscrever 98 milhões. Se não acompanhar, o clube associativo passa a ter quase 100% e a Eagle Football fica com menos de 0,1%.
O caixa segue apertado. Segundo os administradores, salários estão em dia, mas tributos federais e contribuições previdenciárias não estão sendo pagos, com cerca de R$ 50 milhões em aberto. Em agosto, de acordo com o mesmo relatório, a SAF tinha R$ 990 milhões em ativos e direitos contra R$ 3,67 bilhões em obrigações.
A saída prevista passa por venda de jogadores. Segundo o documento, a SAF conta com R$ 136 milhões em janeiro e R$ 223 milhões em fevereiro de 2027.
O ponto a observar é o fim do prazo de 30 dias da Eagle. É ali que se define se a diluição se confirma e se o caminho para a GDA converter crédito em controle fica livre.
Foto: Vítor Silva/Botafogo




