Tem estatística que é curiosidade e tem estatística que é diagnóstico. A do Santos em gramado sintético é a segunda.
A última vitória do clube nesse tipo de piso foi em 30 de outubro de 2021, contra o Athletico-PR, pelo Brasileirão. De lá para cá são 18 jogos oficiais sem ganhar, com 13 derrotas e 5 empates. O aproveitamento é de 9,3% dos pontos disputados. O saldo é de 11 gols marcados contra 32 sofridos, quase dois por partida. O levantamento é da Gazeta Esportiva.
Só em 2026 foram cinco jogos em sintético, nenhuma vitória, e o último deles custou caro: a eliminação na Copa Sul-Americana diante do Atlético-MG, com derrota por 4 a 2 na Arena MRV.
A explicação fácil é o piso. A menos confortável é que 18 jogos formam amostra grande demais para caber em azar. O sintético já está normalizado no calendário brasileiro, aparece em casas de Série A e de estaduais, e clube que não se prepara de forma específica para ele perde pontos todo ano.
O contraste com o momento no Brasileirão deixa o número ainda mais estranho. O time vem de três vitórias seguidas e ocupa o décimo lugar, com 35 pontos. Neste sábado visita o Remo, penúltimo com 23, às 18h30 no Mangueirão, com ausências pesadas: Brazão, Willian Arão, Neymar, Barreal e Coutinho fora, Cebolinha suspenso. O cenário do jogo está na Itatiaia.
O que observar não é a noite de hoje em Belém, é a próxima vez que a tabela mandar o Santos para um campo sintético. Se o roteiro se repetir pela décima nona vez, o problema deixou de ser do gramado.
Foto: DOUGLAS MAGNO / AFP




