A regra nova mal foi aprovada e já ganhou um crítico de peso. Jorge Jesus, técnico da seleção de Portugal, usou a entrevista coletiva deste sábado, antes do jogo com a Noruega pela Liga das Nações, para contestar a redução do limite de estrangeiros no futebol brasileiro.
A mudança foi aprovada nesta semana e corta de nove para cinco o número de estrangeiros por clube nas Séries A e B. Na votação, só Bahia e Flamengo foram contra. Jesus, que conhece bem o ambiente depois de passagem marcante pelo Flamengo, foi direto: "Não é reduzir de nove para cinco que vai melhorar o jogador brasileiro". A fala foi registrada pela Gazeta Esportiva.
O argumento dele se apoia no exemplo de casa. Portugal não tem limite de estrangeiros na liga e continua produzindo jogadores em série para a Europa. Para Jesus, o gargalo brasileiro está em outro lugar: na qualidade da formação e no calendário. Ele ainda elogiou os estaduais, que chamou de "um dos segredos" na revelação de talentos, porque dão minutos a jovens em jogos competitivos.
A crítica toca num ponto que a própria discussão brasileira evitou. A defesa da regra é que menos estrangeiros abrem vaga para o jogador formado no país. Mas vaga não é minuto, e minuto não é desenvolvimento. Um clube com cinco estrangeiros pode continuar usando os mesmos cinco nas posições decisivas e manter os garotos no banco. Sem mexer em calendário, treino na base e janela de empréstimo, a regra resolve o número e não resolve o jogador.
Há ainda o risco jurídico que já apareceu nesta semana, com advogados apontando possível choque com as regras do Mercosul para jogadores da região.
O próximo passo é ver como os clubes montam os elencos nas próximas janelas dentro do novo teto. É ali, e não na votação, que a regra vai mostrar se abre espaço para a base ou só encarece o mercado.
Foto: Divulgação/Portugal




