Pedro Morisco imaginava a Seleção para daqui a um ou dois anos. Ela chegou agora. Em sua primeira entrevista com a camisa amarela, o goleiro do Coritiba admitiu que ainda não caiu a ficha. "Quando eu soube que poderia acontecer, já era uma surpresa tremenda pra mim", disse.
A convocação tem peso de história para o clube. Morisco é o primeiro jogador do Coritiba chamado para a Seleção principal desde o zagueiro Emerson, em 2011, segundo levantamento do UmDois Esportes. São 15 anos de ausência encerrados por um goleiro formado em casa, que chegou à base aos 9 anos e já passou dos 100 jogos pelo profissional.
Ele fez questão de devolver o crédito. "Eu devo muito ao Coritiba por estar aqui. Sem ele, eu não seria nada." Também elogiou Taffarel, preparador de goleiros da Seleção: "um ser humano incrível".
A pergunta que importa é se ele entra em campo. Morisco disputa espaço com Hugo Souza, do Corinthians, e Otávio. Depois do empate por 1 a 1 no primeiro amistoso, Carlo Ancelotti já avisou que vai mexer no time para dar minutos a outros jogadores. A troca no gol é o tipo de mudança que um técnico faz sem mexer na estrutura, e é aí que mora a chance do paranaense.
Para o Coritiba, a convocação vale também como vitrine e como argumento. O clube recusou uma proposta de cerca de R$ 10 milhões do Red Bull Bragantino e tratou o goleiro como inegociável. Uma estreia pela Seleção muda a régua de qualquer conversa futura sobre ele.
O segundo jogo contra a Austrália é na terça-feira, 29 de setembro, às 7h de Brasília, no Suncorp Stadium, em Brisbane. Se Ancelotti abrir o gol para teste, a estreia de Morisco vira o fato mais importante do Coritiba no ano fora da tabela.
Foto: Rafael Ribeiro/CBF




