A negociação da SAF do Santos saiu do papel e entrou na parte difícil. A SDC Sports, braço esportivo da gestora americana Saint-Dominique Capital, encerrou nas últimas semanas cinco meses de diligência sobre contratos, dívidas e ativos do clube. Agora vem a apresentação aos conselheiros, marcada para 31 de agosto na Baixada.
O desenho financeiro discutido desde fevereiro prevê até R$ 1 bilhão por 80% da futura SAF, além da assunção de mais de R$ 1 bilhão em dívidas. À frente da operação estão Michael Lipman, com passagens por Uefa, Liverpool, Roma e Inter de Milão, Diego Garcia, especialista em private equity, e Jesse Fioranelli, diretor esportivo com trajetória em Lazio, Roma, Milan e San Jose Earthquakes.
O obstáculo não é financeiro, é político. O estatuto atual limita a venda a 49% das ações. Para chegar aos 80%, é preciso mudar a regra, e isso depende do Conselho Deliberativo e depois da Assembleia Geral dos associados. Só então viria a oferta vinculante, que ainda passaria por novas votações.
E o ambiente já esquentou. Na segunda-feira, um grupo de 37 conselheiros publicou nota contra o projeto conduzido pela gestão Marcelo Teixeira, criticando o crescimento do passivo e questionando o momento da discussão. O mandato do presidente termina em dezembro, e o argumento é que a SAF não pode virar instrumento eleitoral.
O pano de fundo pesa. A dívida passa de R$ 1,1 bilhão, há atraso nos direitos de imagem do elenco e o clube segue sob transfer ban da Fifa por causa de pendência com o Monaco. O time é o 17º no Brasileirão, dentro do Z4.
A proposta prevê vetos para preservar nome, hino, cores e a Vila Belmiro. O que ninguém garante é quem vai comandar o processo até o fim.
Fonte: Lance!
Foto: Raul Baretta/Santos FC




