Existe demissão que chega tarde e existe a do Internacional, que chegou no único momento em que ainda dá para reconstruir alguma coisa.
Paulo Pezzolano deixou o comando nesta segunda-feira, depois da derrota para o São Paulo no Morumbis. O uruguaio chegou em janeiro e fechou a passagem com 43 jogos, 17 vitórias, 12 empates e 14 derrotas, aproveitamento de 48,8%. O número que explica a saída não é esse, é o recorte recente: uma vitória nos últimos doze jogos, mais a eliminação na Copa do Brasil para o Grêmio. A despedida e os dados da passagem estão na Gazeta Esportiva.
O Inter é o 18º colocado, com 28 pontos. Pablo Fernández, auxiliar permanente do clube, assume de forma interina durante a Data Fifa. Na prática, a diretoria comprou duas semanas sem jogo para decidir se aposta em um nome de mercado ou segue com a casa.
Essa é a parte que pesa. O calendário deu ao Internacional a pausa mais longa do segundo semestre justamente quando o time precisava dela, e a próxima partida só acontece em 7 de outubro, contra o Corinthians. É confronto direto entre dois times que passaram o mês perdendo, e o vencedor sai com fôlego que o outro não terá.
Pezzolano publicou um comunicado de agradecimento nas redes. Escreveu que foi uma honra defender o escudo e que trabalhou com dedicação em cada treino. É o tom padrão dessas saídas, e não muda o que ficou para quem assumir: dez rodadas, quatro pontos de diferença para sair da zona e um elenco que não vence há quase três meses com regularidade.
O que observar agora é o nome. Um interino que ficar até o fim do ano significa que o Inter decidiu economizar e apostar no elenco. Qualquer outra coisa significa o contrário.
Foto: Ricardo Duarte/Internacional




