O Flamengo escolheu dois estrangeiros para falar contra a regra dos estrangeiros.
O diretor de futebol José Boto, português, e o volante Saúl, espanhol, criticaram nesta quinta-feira, no Ninho do Urubu, a redução gradual do limite de jogadores de fora do país no Brasileirão. As declarações foram publicadas pelo Lance!.
O novo regulamento desce um degrau por ano. Hoje o teto é de nove. Passa a oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco de 2030 em diante.
Boto fez questão de dizer que falava "não como diretor do Flamengo, mas como alguém do futebol", e usou a Espanha como exemplo: lembrou que Atlético de Madrid e Real Madrid se enfrentaram com três ou quatro espanhóis em campo, e que a seleção do país é campeã do mundo. Para ele, a consequência da regra é o campeonato ficar com "uma segunda prateleira de jogadores, sem a mesma qualidade". E fechou: "Não é preciso de uma lei para isso."
Saúl foi mais contido, mas na mesma direção. "Não cabe a mim falar, mas eu acredito que isso não seja bom para a liga", disse. "Se isso for feito, eu acredito que vai baixar o nível do Brasileirão."
O argumento do outro lado tem número. O estudo que embasou a mudança aponta queda de 40% nos minutos de jogadores sub-23 desde que o limite subiu para nove.
A ressalva de Boto não apaga o interesse. O Flamengo tem estrangeiros em posições centrais do elenco, a começar pelo próprio Saúl, e cada vaga a menos encarece a montagem do grupo: ou o clube paga mais por brasileiro de primeira linha, ou aceita reduzir a rotação.
O prazo é o ponto a acompanhar. O primeiro corte vale para 2027, o que obriga os clubes a planejar já na próxima janela quem fica e quem sai da lista.
Foto: Pedro Werneck/Lance!




