O Botafogo tomou a decisão que vinha adiando, e ela foi não decidir. A diretoria respaldou Rodrigo Bellão no cargo de técnico interino e admite internamente que ele pode terminar a temporada no comando, caso não apareça um nome que valha a troca.
O argumento é a sequência. Sob Bellão, o time venceu o Cienciano, perdeu para o Athletico-PR e para o Flamengo e empatou com o Palmeiras fora de casa, ou seja, pegou times da parte de cima em quatro dos cinco jogos. A avaliação interna é de que houve melhora que o resultado ainda não mostrou, segundo a CartaCapital.
Existe também um motivo menos nobre. O clube não encontrou treinador de peso disponível agora e descartou estrangeiro pelo tempo de adaptação. Quando a alternativa disponível é pior que o interino, o interino vira solução.
O risco é conhecido. Interinato longo custa autoridade no vestiário e trava planejamento, porque ninguém desenha elenco para um técnico que pode sair na semana seguinte. Com a zona de rebaixamento a cinco pontos e protesto recente no CT, o Botafogo escolheu economizar uma decisão numa hora em que decisão costuma ser o item mais barato à disposição.
O próximo teste é acessível e, por isso mesmo, perigoso. O Botafogo recebe o Red Bull Bragantino no sábado, às 20h30, no Nilton Santos, contra um adversário que vem de derrota para o Bahia. Vencer em casa compra tempo para o interino. Perder transforma o respaldo de hoje em pressão amanhã, e devolve o clube à mesma pergunta de uma semana atrás.
Foto: Buda Mendes/Getty Images




