O placar do Barradão virou detalhe. O clássico entre Vitória e Bahia terminou com duas mortes, quatro feridos e seis presos, e o que aconteceu fora do estádio é o que sobrou da rodada em Salvador.
José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, integrante do Bamor, foi espancado e esfaqueado por membros da TUI, organizada do Vitória, perto da Avenida 29 de Março, horas antes da bola rolar. Ele morreu depois de internado. Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, também do Bamor, foi morto a tiros no Castelo Branco. A polícia não estabeleceu ligação direta entre os dois casos, e a torcida decretou luto pelos dois. O relato está na Gazeta Esportiva.
Na operação de busca, cerca de 60 pessoas foram abordadas e seis acabaram presas com facas, soqueiras, foguetes e artefatos explosivos artesanais. As acusações incluem homicídio qualificado, tentativa de homicídio, porte de arma e infração ao Estatuto do Torcedor. Ônibus foram depredados e um motorista ficou ferido por um sinalizador.
O que chama atenção na lista de apreensões é o tipo de material. Faca e soqueira aparecem em confronto de torcida há décadas. Artefato explosivo artesanal é outro patamar, e muda o cálculo de qualquer operação de segurança montada para clássico na cidade.
O Bahia venceu por 2 a 0, com gols de Alejo Véliz e Jean Lucas, e isso ocupou a menor parte da conversa de ontem. O resto do dia foi sobre o que o poder público vai fazer na próxima edição, porque o modelo atual, com abordagem concentrada no dia do jogo e nas imediações do estádio, não alcançou nenhuma das duas mortes. As duas aconteceram longe do Barradão e antes do apito inicial.
Foto: Reprodução/@torcidabamor




